Publicação de Poesia

Sua bolsa lírica estourou e seu filho (livro) está prontinho para nascer. Mas, antes dele, muitas outras dúvidas nascerão, como: “será que procuro uma editora ou publico de forma independente?”; “vale à pena lançar meu livro via editais e leis de incentivo à cultura?”.  A resposta é: depende do seu caso. Se seu interesse primordial for lucrar com a venda de livros, faça-o de maneira independente, pois as editoras repassam aos escritores, relativo a direitos autorais, de 8% a 10% do valor da capa (preço a ser vendido nas livrarias). O lado bom de publicar via editora são as facilidades com distribuição, divulgação, concepção do projeto visual, diagramação, revisão textual, entre outros.

Na publicação independente o escritor fica com todo o lucro das vendas, porém, também fica com a responsabilidade de desenvolver mecanismos de venda, distribuição e divulgação do livro. Isso inclui levar os livros às livrarias, buscar os não vendidos, idas aos Correios no caso de vendas pela internet e fazer rastreamento no caso de extravio, negociar valores, fazer cobranças, enviar sugestão de pauta para veículos de comunicação, divulgar nas redes sociais e sites especializados, entre outros.

Para não ter indesejáveis surpresas, faça um bom planejamento para garantir a integridade de seu trabalho e de seu bolso. Como tiragem inicial, se você não estiver nadando em dinheiro, opte pela impressão de poucos exemplares ou venda os livros por encomenda. Assim, você só produzirá o que realmente for vender. Se você optar por uma tiragem maior – mil exemplares, por exemplo – você terá que vender cerca de 300 livros para não ter prejuízo (no caso de uma edição sem custos com diagramadores, revisores, capistas).

Uma outra opção é lançar seu livro por meio de leis de incentivo à cultura, editais, fundos de apoio, bolsas literárias, entre outros. Desses, muitos disponibilizam verba exclusiva para escritores iniciantes. Nesse caso, você precisará de alguma capacitação para se familiarizar com esse universo burocrático, além de bastante paciência para entender as nuances e exigências do edital para adequar seu projeto, o que pode incluir outros produtos além da publicação do livro.

Nos editais e fundos de apoio, o mérito cultural é, quase sempre, o que mais conta pontos para sua aprovação, mas também é a causa de grande frustração entre os proponentes, que muitas vezes resumem o mérito cultural à qualidade artística do trabalho ou relevância no cenário local. O mérito cultural consiste principalmente no retorno que seu projeto dará à sociedade em forma de oficinas de capacitação, apresentações gratuitas, doação de livros para bibliotecas públicas, ações de inclusão social, entre outros. Para os escritores que optarem por essas modalidades, uma dica: seja útil à sociedade – mérito seu. Mas atenção: se burocracia definitivamente não for a sua praia, contrate um bom produtor cultural.

Além das sugestões mais convencionais, há outra forma de publicar seu livro ou realizar seus projetos literários – o financiamento coletivo (ou crowdfunding), assunto do próximo post do blog "E agora, Cora?"

 

Texto de Marina Mara, do livro Profissão Poeta, 2016.

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