Circulação de Poesia

 

Frases arbitrárias como “poesia não vende”, “o povo não gosta de poesia” são um retrato de um passado recente, no qual esses escritores ficavam reféns do mercado editorial, sem a possibilidade de construir uma carreira sólida de forma independente, impossibilitando a chegada de seus textos ao público.

Porém, essa realidade vem se transformando e a poesia está entrando em uma boa fase novamente. Parte desse fenômeno se deve – acredito – às mudanças comportamentais da sociedade que está se vendo obrigada a rever seus hábitos e valores para continuar habitando nosso planeta. Com o advento das redes sociais e de outras ferramentas de divulgação fora da mídia convencional (leia-se: paga) é perfeitamente possível construir uma carreira profissional, com visibilidade e qualidade até superior às propostas pelas editoras, que têm interesses primordialmente comerciais.

Que tal enviar seus poemas a amigos (inclusive os virtuais), colegas de trabalho, parentes, amores, para o pessoal do condomínio ou do seu bairro? Não duvide do poder do boca a boca – enxergue esse como seu primeiro passo. Assuma-se como artista da poesia. Mas, um detalhe importante é escolher o poema certo para o público certo. Nada de falar poema erótico no chá de fraldas da sua prima; deixe esses para um sarau mais moderninho, fará sucesso.

Ter uma página bonita na internet, com conteúdo interessante, atualizada e útil é imprescindível para despertar o interesse de novos leitores. Mas esse assunto merece um capítulo exclusivo. Retomemos essa prosa nas próximas páginas.

Outra dica é enviar seus poemas para concursos literários, sites e revistas relacionadas aos temas abordados em sua poesia, isso sem falar nas redes sociais, que são a grande “rádio corredor” da atualidade. Se escrever um poema sobre seu time de futebol, por exemplo, envie-o para o site oficial do time, para programas esportivos de rádio e TV – a chance de tê-lo publicado e divulgado ao grande público é grande.

Colocando em prática o “pensar global e agir local”, por que não propor ao dono da padaria de seu bairro a impressão de seus poemas no papel de pão? Certamente você ficará conhecido em sua vizinhança e despertará sorrisos com cheiro de café bairro a fora – além de ser um prato cheio para a mídia espontânea.

Segundo o filósofo marxista Walter Benjamim, “é vasto o horizonte a partir do qual temos que repensar a ideia de formas ou gêneros literários em função dos fatos técnicos de nossa situação atual, se quisermos alcançar as formas de expressão adequadas às energias literárias de nosso tempo”.

Escolha suas formas de publicação pelo alcance delas, pelo tipo de público que elas atingem e, sobretudo, pela mensagem que você quer passar. Além do livro e da internet, já publiquei em paredes de banheiros públicos, em paradas de ônibus, no metrô, na praia, em balões de gás e até nos classificados de um jornal argentino – O Clarín.

 

Texto de Marina Mara, do livro Profissão Poeta, 2016.

Comentários   

0 #1 marta cunha 05-08-2017 08:52
gostei das ideias.
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